Dostoiévski e MZB

    

Hoje eu vou dar uma de menina culta, e falar de dois dos meus livros favoritos: um mais "intelectual",(link pra baixar o livro)Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski e outro mais "popular", As Brumas de Avalon, da Marion Zimmer Bradley ou MZB pros íntimos (rsrs, os links pra baixar os quatro livros estão no fim do post). Na verdade, eu destôo um pouco quando o assunto é crítica e público. Dostoiévski é visto como complicado e haja até quem tenha medo de ler suas obras por achá-las (pois assim é divulgado pelas mídias) por demais extensas e difíceis. Extensas são, pois são tramas detalhadas, ricas em detalhes, personagens complexos e cheios de sutilezas, mas difíceis?! Talvez, não estando muito acostumados com o exercício do raciocínio e o vocabulário exemplar do autor, nos estranhe um pouco no início, mas nada que seja um bicho de sete cabeças. 
Já "As Brumas'', é (e digo "é" porque "As Brumas" formam uma estória só dividida em quatro livros) uma das poucas obras que eu li algum elogio por parte do pessoal especializado, quando assunto é MZB. Finalmente, deram o braço a torcer que ela escreveu uma obra monumental, completa e multidimensional. 
Normalmente os adjetivos atribuídos a ela são: feminista exarcebada e popularesca. E dessa vez, tenho que admitir, eles teem uma certa razão, mas não é tão simples quanto se pensa. Acho que antes e acima de tudo, Marion era autêntica e humana. Quando a Sra Bradley começou a escrever o mundo era muito, mas muito mais machista do que é hoje, e como uma pessoa, volto a dizer, autêntica e também intensa, cuja intensidade transparece em sua escrita, provavelmente, ela teve a necessidade de afirmar a feminilidade como um orgulho, e se todos (ou quase) os seus personagens masculinos são fracos, imbecis e covardes ou tolos, cruéis e gananciosos mas que de qualquer maneira sempre precisa de uma saia por perto, é pura e simplesmente porque os homens, em sua maioria, são assim mesmo. Quanto ao vocabulário, por vezes, é sim raso e repetitivo, mas aí também acentua-se sua humanidade, Marion nunca se pôs no pedestal em que seus fãs a viam. Por vezes se irritava quando um jornalista perguntava como tinha suas idéias, como quem acha que qualquer um poderia ter tido a mesma idéia que ela, aliás, era isso mesmo que ela achava, que escrevia coisas que qualquer outro poderia escrever e isso não era nada demais. Mal sabia que, ELA é que era demais.

Bom, já que estou no embalo das Brumas, vamos à essa resenha primeiro:
Gif PrincesaEsse não é um livro pra ler uma vez e pronto, ter uma opinião, não. É pra ser lido várias vezes e ao longo da vida. Porque? Por que senão você pode cair no mesmo erro que eu (e muita gente) na primeira vez que o li. Eu tinha uns quatorze, há dez anos atrás, direto-do-túnel-do-tempo, hehe (eu sei, tô velha) e tinha descoberto a Wicca, o neopaganismo, de uma forma geral, à poucos meses e conforme lia, tinha a impressão que a autora fazia uma ode às sacerdotisas, acenando a bandeira "Paganismo é Bom, Cristianismo é Ruim" ou seja, o Povo Pagão eram os mocinhos e os cristãos os malvados e fracos. A confusão mais comum é Morgana sendo tomada como uma mulher forte e decidida, precoce e com toda a razão, quer que Arthur honre a Avalon, mas que mete os pés pelas mãos, e Gwenhwyfar, no começo uma menina frágil, dissimulada e tola e depois uma beata invejosa e intransigente que só deseja ver o país cristianizado, Arthur escravo dos padres e Morgana destruída. Porém, lendo uma segunda vez, (já um pouco mais velha) e depois uma terceira, e trezentas leituras depois, finalmente entendi o que a autora quis dizer com o romance. Voltando ao exemplo de Morgana e Gwen, as duas que aparentemente são díspares, no fundo são quase iguais! Morgana só transparece segurança porque foi criada para isso, a certa altura se diz "Ser sacerdotisa é ser só", ou seja, ela tinha que ser segura, pois haveria momentos nos quais ela só poderia contar consigo mesma, auto-confiança fazia parte de sua formação. Já a cristã é criada como as mulheres eram na época, e até mais ou menos o século XIX(se eu estiver errada por favor alguém me corrija) para crer que a única salvação das mulheres era serem totalmente submissas à palavra dos padres e da Igreja. Todavia, a despeito da criação, ambas são determinadas, apaixonadas (inclusive pelo mesmo homem, #abafa-Galahad/Lanceloti-#bofemagia) e atadas aos seus destinos, incapazes de realmente tomar as rédeas de suas vidas. A rainha só "inveja" a sacerdotisa porque vê nela a liberdade que nunca terá, e no fundo mais a admira que outra coisa.

Eu sei que não falei de mais nenhum personagem, mas convenhamos, é melhor você ler e tirar suas próprias conclusões sobre eles...e eu já discorri bastante sobre As Brumas, né?! E quem tá pensando em ver o filme, não recomendo.  É que na época que foi feito, ainda não havia isso de parte um, dois...contaram quatro livros em um filme, conclusão: não.tem.na-da.a.ver, só se for o caso de você só ver o filme. Ele seria bom se não fosse baseado num livro.

Gif PrincesaCrime e Castigo: é um romance publicado em 1866. Narra a história de Raskolnikov, um jovem estudante que comete um assassinato e se vê perseguido por sua incapacidade de continuar sua vida após o delito. O livro é exatamente "Crime" e "Castigo": O protagonista comete um Crime para provar a si mesmo a "teoria do ser extraordinário", que não tem as mesmas "amarras" morais que os outros e é superior, mas o Castigo vem até antes de o assassinato se dar por completo. Sua consciência o atordoa e ele, inclusive adoece fisicamente por culpa. É um livro denso, tenso, intenso que vai te puxando aos poucos até você ser dragado e inebriado pela estória. Mais não posso dizer, senão com certeza vai sair spoiler. Se bem que o f*da é o jeito que ele escreve, assim como Machadão, de um jeito único! Leiam, garanto que não arrependerão, e mais, que não conseguirão ler uma vez só.

Nunca vi o filme, mas duvido que seja tão contundente e emocionante quanto a narrativa pulsante de Dodo, quer dizer, rs, de Doistoiévski.
       
 Abaixo segue os links pra baixar As Brumas de Avalon:
As Brumas de Avalon- I - A Senhora da Magia  
As Brumas de Avalon - II - A Grande Rainha
As Brumas de Avalon- III - O Gamo Rei
As Brumas de Avalon - IV- O Prisioneiro da Árvore

Obs.: Estória tá certo, viu?! Quando a "história" é de ficção, uma obra da imaginação, recomenda-se que se escreva 'estória'(mas se eu estiver errada, por favor, alguém me corrija).




Um comentário:

  1. Oi , que lindo seu blog !!! adorei mesmo , tô seguindo bjocas
    http://licia-carla.blogspot.com.br/

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