Coleção aposta em livros com textos curtos

O advento do livro digital está provocando o desenvolvimento de novos formatos para as plataformas de leitura, como os títulos do selo Foglio, que a Editora Objetiva acaba de lançar. São obras curtas (de 15 a 20 mil palavras) que abarcam todos os gêneros, da crônica ao ensaio, passando por reportagens, contos e poemas. Os três primeiros títulos trazem autores populares entre os leitores brasileiros: o gaúcho Luis Fernando Verissimo marca presença com "Jazz", crônicas sobre os maiores nomes desse gênero musical, como Charlie Parker e Chet Baker; Ana Maria Machado assina "Contos", reunião de textos inéditos da presidente da Academia Brasileira de Letras; finalmente, o poeta Mário Quintana (1906-1994) é lembrado com "e-Quintana", pequena antologia que pretende ser uma introdução à obra poética do autor e tradutor gaúcho, cuja obra completa está sendo relançada pela Objetiva.
"A chegada do livro digital apresenta novos desafios aos editores, mas traz também oportunidades, como alcançar leitores brasileiros fora do Brasil e publicar textos curtos que, no formato impresso, não existiriam", observa Roberto Feith, editor da Objetiva. Com programação visual de Marcelo Martinez, do escritório de design Laboratório Secreto, os livros do selo Foglio seguem um padrão de alta legibilidade e custarão, em média, R$ 5. O preço baixo visa a atrair leitores para autores já publicados pela editora e outros ainda inéditos. "Temos um projeto em discussão com uma instituição acadêmica sobre o mensalão", revela Feith, antecipando a inclusão no selo do chamado "instant book" - livro organizado em torno de um evento que toma conta do noticiário e merece tratamento mais aprofundado.
Na área ficcional, o selo vai publicar tanto pequenas novelas como coletâneas e crônicas. Entre os próximos títulos, por exemplo, está um livro de João Ubaldo Ribeiro e um ensaio do escritor inglês Will Self sobre o mundo da baixa gastronomia. Will Self, cuja literatura provoca o leitor, foi indicado este ano para o Man Booker Prize por "Umbrella" (Guarda-Chuva), sobre um psiquiatra que trata um paciente com encefalite letárgica. "É um maneira de permitir ao leitor um primeiro contato com autores sem que ele precise comprar um livro de 300 páginas para conhecer seu estilo".
Will Self, que faz literatura experimental e é cult entre os leitores brasileiros, é bom exemplo do caminho que deve orientar os lançamentos experimentais do selo Foglio. "Não nos baseamos em modelo estrangeiro", diz Feith, que espera um crescimento na venda dos livros digitais ainda neste Natal. Por enquanto, esse segmento responde por menos de 1% do total de vendas no Brasil, mas isso não se deve à resistência do leitor ao formato, mas ao preço ainda alto do dispositivo de leitura, o que deve ser contornado com a crescente popularização dos tablets, e.readers e smartphones. "A entrada em operação de novas livrarias internacionais e a perspectiva de ingresso de outras apontam um crescimento na demanda pelo digital", garante Feith. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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