Criticanda e Analisanda

Jogos Vorazes consegue amortecer os choques do livro sem virar história da carochinha
                                                         
Bom, se você leu o post "Porque Jogos Vorazes é phoda" sabe que acabei de ver esse filme(ler a trilogia também)e fiquei totalmente viciada nessa história. Obviamente, na adaptação para o cinema, sempre se perde alguma coisa, mas no caso de Jogos Vorazes não chega a ser muita diferença, não chega a prejudicar o deleite literário, e quando você vê o filme, lembra de falas do livro. 
Quando foi divulgado o trio que interpretaria os personagens principais, muita gente chiou igual o Buttercup (gato da Prim, irmã da protagonista). Entendo que os fãs da saga quisessem que tudo saísse perfeito e para alguns Jennifer Lawrence não seria Katniss à perfeição. E ela provou (ao menos pra grande parte do público) que eles estavam errados, dando à personagem além da força e garra que são suas maiores qualidades, um lampejo de meiguiçe que vez por outra quer vir à tona. Na minha opinião pessoal, nenhuma outra jovem atriz poderia mesclar tantas características e tão bem quanto Jennifer.  
Liam Hemsworth, realmente eu não entendo nem como ele entrou em Hollywood! Mas tenho que admitir que Gale caiu-lhe como uma luva, embora nesse filme a participação dele não seja tão grande. 
Josh Hutcherson coitado, foi o que mais sofreu rejeição do público, e aí, eu realmente não entendi. Quer dizer,, ele não tem os olhos azuis do personagem, ok, maaaas ele tem a doçura natural que pra mim é a marca de Peeta. Qualquer pessoa que já tenha visto ABC do amor (Little Manhattan, 2005) não pode ser contra a escalação dele pra qualquer coisa, quanto mais para o ser mais cativante, sincero, fofo e doce (sem sem ser 'melado') dessa estória. Peeta é, a meu ver, até mais 'mocinho' que Katniss é 'mocinha', e Josh carrega aquele sempre-presente sorriso meigo que é dele, emprestando-o a qualquer personagem que faça. Peeta é apaixonante, mas Josh o fez inesquecível.
Do resto do elenco, todo mundo falou super bem que Elizabeth Banks como Effie Trinked, realmente ela merece os elogios; mas quem me deixou querendo mais foi Lenny Kravitz interpretando Cinna, o estilista phodástico (não há outro adjetivo que o descreva tão bem) de Katniss, atuação correta, e mais do que isso, ele exibe a aura de mistério e fascínio que o personagem exige, nem mais nem menos. Muito BOOOM!!!
Mesmo que você tenha visto o filme, leia o livro e se você já leu o livro...veja o filme!    


A bonequinha viu e achou: Muito Bom!
                                 
                                    
            Hugh Jackman + Criança Fofa + Historinha mimimi = Filme Bom??!! Pois é!

                                     
Sinopse de Gigantes de Aço (Real Steel, 2010): Depois da morte de sua ex- namorada, Charlie (Hugh Jackman ), um ex-lutador de boxe, é notificado que tem a guarda de seu filho, Max (Dakota Goyo ), que nunca conheceu. Ele está disposto a dar a guarda aos tios do garoto, mas antes disso ele passará uma temporada com ele. Durante o tempo que devem passar juntos, Charlie decide furtar um deposito de entulho de robôs, e é quando Max caí em um precipício mas é salvo por um velho robô. Sentindo- se grato a Atom, o robô, Max decidi leva-lo para casa e está decidido a transforma-lo em um campeão dos ringues. Dirigido por Shawn Levy (Noite no Museu1/2, Uma Noite Fora de Série, A Pantera Cor-de-Rosa, 12 é D+, Recém Casados).
Eu não queria falar bem desse filme, porque não é que eu não goste do Shawn, mas pela lista de filmes dele, você pode perceber que ele não é de grandes produções. Os longas dele são corretos. E só. Tá, também não são ruins, são legais pra passar o tempo, entretém, que afinal é o que um filme tem que fazer, tem uma mensagenzinha, enfim, previsível, esse é o Shawn. Entretanto, não tenho coragem de falar maaal dos filmes dele, muito menos esse. Ele é bom, mesmo. 
Hugh Jackman convence tanto como pai desnaturado quanto como papai-arrependido-de-dar-dó-no-coração (e um certo calor no público feminino, afff, multiplica, Senhor, multiplica), Evangeline Lilly (sim, a Kate de Lost, ela mesma) como sempre, competente na sua mísera participação - um dia ainda faço um post sobre essa mania ridícula de Hollywood ficar dando migalhas pros bons atores de séries de lá, um dos motivos pelos quais o cinema deles tá uma porcaria!- eeeeeee o astro do filme está impecável: Dakota Gyo dá um banho no elenco adulto, põe a direção no bolso e envolve a platéia! Esse menino é tipo o Josh Hutcherson, nasceu pra isso!!!     

                                         
Ted: Quando os piores defeitos de uma pessoa (ou urso de pelúcia) viram sua maior qualidade! 


Estreia hoje 21/09 o filme Ted, no qual o famoso ursinho ganha vida por causa de um pedido de natal feito por um menino de oito anos que é totalmente desprezado pelos vizinhos da sua idade. Finalmente, com Ted vivo, ele ganha um amigo para a vida inteira. O problema é que ele tem de crescer e Johnny, vivido surpreendentemente bem por Mark Wahlberg (cada vez mais acho que ele devia fazer mais comédia, porque é despretensioso, e Mark, ao que me parece, é alguém cuja pretensão não precisa ser inflamada,  quando tenta fazer suspense fica mascarado e drama, bom, digamos que a atuação dele em dramas se torna o drama do filme) cresce, mas não amadurece, em parte por culpa do ursinho que de fofo só restou a cara. Passa boa parte do dia vendo TV e fumando maconha com Ted, e nem seus amigos (sim, agora ele tem outros amigos) entendem como ele consegue manter a namorada, interpretada pela semi-diva (sim, ela vai indo muito bem, foi a única pessoa com quem Ashton Kutcher trabalhou direito, o que a faz meio milagreira na minha opinião, por que também este protagonista de histórico incompetente atuou bem ao seu lado, maaas mesmo assim ainda acho cedo para chamá-la de diva, ídola, essas coisas) Mila Kunis, interpretando Lori, que além de linda é inteligente e bem-sucedida. Ela, coitada, atura a dupla de marmanjos com medo de trovão até o limite do suportável, e acho eu que fará refletir a que níveis de paciência você pode sim se submeter por amor e tolerância.  
Ted é bem previsível, você vai "antevendo" as cenas antes delas acontecerem, o que não tira nem diminui o deleite dos 100minutos e 28segundos - é por aí o tempo -  da fita recheada de piadas(entenda-se alfinetadas) com a cultura pop americana, que junta um adulto que não cresceu (identificação sumária), uma mulher forte mas meiga (queria dizer que me identifiquei, mas ela é o que eu gostaria de ser, eu sou uma mistura de Johnny e Ted) e um urso muito mal educado, grosso, mulherengo, maconheiro (isso eu não gostei), bêbado e vagabundo...é o urso de pelúcia do Charlie Haper! (ou Sheen). Recomendo a todos que gostem de boas risadas, de um humor anárquico sim, mas não esbarrando no bom gosto ou no bom senso. Aliás, se mais não fosse, o filme já valeria por uma pergunta que suscita espontâneamente: Quem disse que o humor não pode ser fofo?

A bonequinha viu e achou: Excelente!


                                           
Alice no País das Maravilhas: Alice? Cadê?!


Quando bati o olho na Alice atual (Mia Wasikowska) pensei ter me enganado de filme, e estar assistindo algum filme da "saga" Crepúsculo. Não só pela palidez mortal da protagonista mas como por sua incipente atuação e por fim pela irrelevância da obra como um todo. Aliás, Alice No Pais das Maravilhas por Tim Burton parece que tem dois objetivos cruciais: mostrar que tanto Johnny Deep quanto Anne Hathaway, dois astros que primam pela excelência até em filmes em que nada funciona podem sim trabalhar mal, muito mal;  e pasteurizar a grande cartada de Alice: a imaginação como fuga e também como amadurecimento, afinal quando a mocinha "volta" do país das maravilhas resolve tudo que lhe estava angustiando com muita sobriedade e bom senso, como é comum nas crianças quando são confrontadas com alguma realidade um pouco mais dura, se refugiam numa fantasia que ajuda a explicar com alegorias aquela situação inquietante. E Tim Burton também tem uma mania que muito me irrita, ele enegrece tudo pra dar exatamente um tom gótico, depois exagera cores berrantes para deixar tudo um pouco mais bizarro, exatamente para as cores inaltecerem o negro, mas conforme os filmes vão passando, vai se percebendo uma mesmice, um mais do mesmo. Ou seja, os filmes dele(em sua maioria, mas não são todos) são como doces que têem uma embalagem que querem passar uma imagem de originalidade e quando você morde tem aquele aroma e gosto totalmente artificial. Entendeu?!  

 
Foi Apenas Um Sonho: Hollywood ainda Respira(com ajuda de aparelhos)

                                                         

Leonardo DiCaprio não chega à metade do talento de Kate Winslet.
Isso ficou óbvio em Titanic e em todos os filmes que ambos fizeram separadamente depois.
Mas algo que também ficou evidente com a superprodução de 97/98 - fora a força de vontade de Leo para interpretar e que dá resultado, o único problema é que você percebe o esforço -  e confirmado com Foi Apenas Um Sonho (Revolutionary Road, 2008); algo mágico acontece quando Srta Winslet e DiCaprio se encontram...basta uma cena juntos e...e...voilà, Leozinho vira um ator de primeira. 
O enredo é incrivelmente simples: Frank e April são dois jovens que se encontram numa festa e se consideram muito reacionários e liberais e que terão uma vida fora do comum, uma extrema felicidade lhes espera. Acontece que a vida não nos pergunta o que nós queremos, se a gente não toma as rédeas com decisão absoluta, você se vê numa vida completamente comum, com dois filhos e um marido que embora viva reclamado da mesma rotina monótona que você, não quer realmente uma vida diferente, ou seja, você está atada à mesmice, cercada de pessoas medíocres e falsas e morando, ironicamente numa rua que se chama rua revolucionária. É nesse drama doméstico aparentemente fácil de ser contado por Sam Mendes(sim, ele é o ex da Kate Winslet) que esses personagens, e coadjuvantes brilhantes como Kathy Bates e Michael Shannon,(incríveis, Michael faz o filho de Kathy, um matemático recém-saído do hospício e joga as verdades na cara dos protagonistas) fazem de vários temas uma singela e, infelizmente, subestimada, obra-de-arte.

Em tempo:.Filme baseado no livro homônimo de Richard Yates de 1961


                                       

Dostoiévski e MZB:
                                    

Hoje eu vou dar uma de menina culta, e falar de dois dos meus livros favoritos: um mais "intelectual",(link pra baixar o livro)Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski e outro mais "popular", As Brumas de Avalon, da Marion Zimmer Bradley ou MZB pros íntimos (rsrs, os links pra baixar os quatro livros estão no fim do post). Na verdade, eu destôo um pouco quando o assunto é crítica e público. Dostoiévski é visto como complicado e haja até quem tenha medo de ler suas obras por achá-las (pois assim é divulgado pelas mídias) por demais extensa
s e difíceis. Extensas são, pois são tramas detalhadas, ricas em detalhes, personagens complexos e cheios de sutilezas, mas difíceis?! Talvez, não estando muito acostumados com o exercício do raciocínio e o vocabulário exemplar do autor, nos estranhe um pouco no início, mas nada que seja um bicho de sete cabeças. 
Já "As Brumas'', é (e digo "é" porque "As Brumas" formam uma estória só dividida em quatro livros) uma das poucas obras que eu li algum elogio por parte do pessoal especializado, quando assunto é MZB. Finalmente, deram o braço a torcer que ela escreveu uma obra monumental, completa e multidimensional. 
Normalmente os adjetivos atribuídos a ela são: feminista exarcebada e popularesca. E dessa vez, tenho que admitir, eles teem uma certa razão, mas não é tão simples quanto se pensa. Acho que antes e acima de tudo, Marion era autêntica e humana. Quando a Sra Bradley começou a escrever o mundo era muito, mas muito mais machista do que é hoje, e como uma pessoa, volto a dizer, autêntica e também intensa, cuja intensidade transparece em sua escrita, provavelmente, ela teve a necessidade de afirmar a feminilidade como um orgulho, e se todos (ou quase) os seus personagens masculinos são fracos, imbecis e covardes ou tolos, cruéis e gananciosos mas que de qualquer maneira sempre precisa de uma saia por perto, é pura e simplesmente porque os homens, em sua maioria, são assim mesmo. Quanto ao vocabulário, por vezes, é sim raso e repetitivo, mas aí também acentua-se sua humanidade, Marion nunca se pôs no pedestal em que seus fãs a viam. Por vezes se irritava quando um jornalista perguntava como tinha suas idéias, como quem acha que qualquer um poderia ter tido a mesma idéia que ela, aliás, era isso mesmo que ela achava, que escrevia coisas que qualquer outro poderia escrever e isso não era nada demais. Mal sabia que, ELA é que era demais.

Bom, já que estou no embalo das Brumas, vamos à essa resenha primeiro:
Esse não é um livro pra ler uma vez e pronto, ter uma opinião, não. É pra ser lido várias vezes e ao longo da vida. Porque? Por que senão você pode cair no mesmo erro que eu (e muita gente) na primeira vez que o li. Eu tinha uns, doze, treze, quatorze, há dez anos atrás, direto-do-túnel-do-tempo, hehe (eu sei, tô velha) e tinha descoberto a Wicca, o neopaganismo, de uma forma geral, à poucos meses e conforme lia, tinha a impressão que a autora fazia uma ode às sacerdotisas, acenando a bandeira "Paganismo é Bom, Cristianismo é Ruim" ou seja, o Povo Pagão eram os mocinhos e os cristãos os malvados e fracos. A confusão mais comum é Morgana sendo tomada como uma mulher forte e decidida, precoce e com toda a razão, quer que Arthur honre a Avalon, mas que mete os pés pelas mãos, e Gwenhwyfar, no começo uma menina frágil, dissimulada e tola e depois uma beata invejosa e intransigente que só deseja ver o país cristianizado, Arthur escravo dos padres e Morgana destruída. E é verdade, mas se tem uma coisa que aprendi cm esse livro é que "a verdade tem várias faces". Porém, lendo uma segunda vez, (já um pouco mais velha) e depois uma terceira, e trezentas leituras depois, finalmente entendi o que a autora quis dizer com o romance. Voltando ao exemplo de Morgana e Gwen, as duas que aparentemente são díspares, no fundo são quase iguais! Morgana só transparece segurança porque foi criada para isso, a certa altura se diz "Ser sacerdotisa é ser só", ou seja, ela tinha que ser segura, pois haveria momentos nos quais ela só poderia contar consigo mesma, auto-confiança fazia parte de sua formação. Já a cristã é criada como as mulheres eram na época, e até mais ou menos a primeira metade do século XIX(se eu estiver errada por favor alguém me corrija) para crer que a única salvação das mulheres era serem totalmente submissas à palavra dos padres e da Igreja. Todavia, a despeito da criação, ambas são determinadas, apaixonadas (inclusive pelo mesmo homem, #abafa-Galahad/Lanceloti-#bofemagia) e atadas aos seus destinos, incapazes de realmente tomar as rédeas de suas vidas. A rainha só "inveja" a sacerdotisa porque vê nela a liberdade que nunca terá, e no fundo mais a admira que outra coisa.

Eu sei que não falei de mais nenhum personagem, mas convenhamos, é melhor você ler e tirar suas próprias conclusões sobre eles...e eu já discorri bastante sobre As Brumas, né?! E quem tá pensando em ver o filme, não recomendo.  É que na época que foi feito, ainda não havia isso de parte um, dois...contaram quatro livros em um filme, conclusão: não.tem.na-da.a.ver, só se for o caso de você só ver o filme. Ele seria bom se não fosse baseado num livro.

 Crime e Castigo: é um romance publicado em 1866. Narra a história de Raskolnikov, um jovem estudante que comete um assassinato e se vê perseguido por sua incapacidade de continuar sua vida após o delito. O livro é exatamente "Crime" e "Castigo": O protagonista comete um Crime para provar a si mesmo a "teoria do ser extraordinário", que não tem as mesmas "amarras" morais que os outros e é superior, mas o Castigo vem até antes de o assassinato se dar por completo. Sua consciência o atordoa e ele, inclusive adoece fisicamente por culpa. É um livro denso, tenso, intenso que vai te puxando aos poucos até você ser dragado e inebriado pela estória. Mais não posso dizer, senão com certeza vai sair spoiler. Se bem que o f*da é o jeito que ele escreve, assim como Machadão, de um jeito único! Leiam, garanto que não arrependerão, e mais, que não conseguirão ler uma vez só.

Nunca vi o filme, mas duvido que seja tão contundente e emocionante quanto a narrativa pulsante de Dodo, quer dizer, rs, de Doistoiévski.
   

 Abaixo segue os links pra baixar As Brumas de Avalon:
As Brumas de Avalon- I - A Senhora da Magia  
As Brumas de Avalon - II - A Grande Rainha
As Brumas de Avalon- III - O Gamo Rei
As Brumas de Avalon - IV- O Prisioneiro da Árvore

Obs.: Estória tá certo, viu?! Quando a "história" é de ficção, uma obra da imaginação, recomenda-se que se escreva 'estória'(mas se eu estiver errada, por favor, alguém me corrija).


Um comentário:

  1. Eu não poderia gostar mais do que você falou sobre Alice no país das maravilhas! Cadê a Alice em Alice? Também tive grandes problemas para achar algo do livro que não fossem apenas os personagens e o mundo das maravilhas... A essência, a história passou bem de leve, bem lá no fundo...

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