Textos & Crônicas

 Balada da Meretriz Ensanguentada
 
       Pus a Margie pra dar uma descontraída, já que o poema é sombrio

Noite, lua, árvores, carro.
Sapato lustrado, terno caro, cabelo arrumado.
Roupa colante, andar vacilante, lágrima persistente, sorriso forçado.
Tapas seguidos de mordidas, lambidas, gritos, cabelos puxados, vestido rasgado.
A dor penetra-me até dentes e ossos, o membro parte-me o corpo ao meio.
Minh'alma enlouquece de remorso, um cigarro é apagado em meu seio.
Mãos cruéis agarram meu pescoço, cortando a respiração, enquanto seu prazer é satisfeito,
Quase sinto alívio, pensando que a tortura está acabando mas acabará do seu jeito.
Arrancas com o carro, eu não tenho forças para levantar, avisto uma estrada de terra, erma.
Penso em mamãe e como ela ficara só e sei que mais ninguém chorará sua perda.
Me arrastas o corpo para fora, eu avisto as estrelas e peço misericórdia a Deus, pois sei que tu não terás,
Ele me ouve, pois agora estou vendo de longe, uma jovem ensanguentada, maquiagem borrada.
O sádico ri enquanto a faca transpassa trinta vezes o corpo que era meu, e atravessa meu pescoço.
Ele esvazia a garrafa de vodka e risca um fósforo que joga sobre o cadáver, corre um cachorro.
Agora o assassino dá lugar ao respeitável executivo, com medo de ser pego, adentra o carro e vai.
Voltará ao seu chique edifício, se limpará com esmero enquanto eu já não existo mais.

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Voando AltoGif Lilo e Stitch

Belinda acordou no meio da noite com sede, cambaleou até a cozinha, porém, voltando ao quarto, no meio do corredor, já saciada, notou dois vultos olhando-a de cima a baixo. Sempre teve muito medo de assombrações e mesmo sabendo que não podia ser ninguém da casa, pois não havia ninguém tão baixo como o primeiro, nem tão alto como o segundo, e ninguém da família possuía aqueles cabelos longos e lisos, aproximou-se um pouco mais, a ponto de ouvi-los sussurrando embora nenhum deles movesse a boca:
"Acha que é ela?"
"Parece só uma garota comum, mas lembra que a lenda diz que ELA pareceria insignificante aos humanos?"
"Pois é, mas se não for ela também? Vai ser o nosso terceiro fracasso, e o terceiro..."
"É o último também, eu sei"
Olharam-se e decidiram num acordo mudo, encaminharam-se para ela, e cada um pegou-lhe num pulso. Belinda não resistiu, uma estranha emoção de familiaridade tomou conta dela e quando percebeu estava apoiando a cabeça no peito do vulto maior - que agora já não parecia um vulto, e sim uma estátua, forte e bela, com feições bem marcadas e atraentes, cabelos lisos, escuros, pouco abaixo do ombro, orelhas pontudas e olhos que mais pareciam safiras - e fechando os olhos, adormeceu novamente.
Despertando vagarosamente, ela se sentou somente para constatar que não estava mais em seu apartamento apertado, a cama ampla em nada lembrava a seu estreito colchão, mas surpreendentemente  enquanto andava pelo espaçoso aposento não sentia medo, assim como quando de sua partida da casa dos pais, parecia-lhe que aquele quarto não era estranho, tanto quanto aqueles vultos que agora se perguntava aonde estariam, tudo ali, parecia tão seu quanto seus membros. Só agora notou o vestido longo e rendado que usava, não era nenhum tecido conhecido e mesmo a renda era diferente, na escrevaninha avista uma série de esferas, como globos de neve, mas não há neve neste, é como uma miniatura de sua cidade, parecia até que as pessoas eram reais e quanto mais fixava os olhos, mais nitidamente via... e isso também não era estranho a ela. Mas a lógica teimava em aparecer: "mas isso é impossível, como eu conheço isso?" Ela teve seus pensamentos interrompidos por uma mão afável no ombro, embora não tivesse ouvido ninguém entrar, ela se depara com uma mulher tão alta e alva, quanto a figura masculina que a trouxe até ali, mas essa mulher era loura, cabelos frisados, muito longos, os olhos não pareciam safiras mas diamantes e os lábios eram mais finos porém tão bem marcados quanto do outro ser, mesmo assim algo neles era comum. Parecendo ler seus pensamentos, a mulher diz:
-Sim, eu me pareço levemente com Lewüeen, somos da mesma linhagem, embora não da mesma família, ele é muito belo, não acha?
Sem nem saber porque, sabia estar com rosto vermelho, a menina respondeu:
-Sim, ele é mesmo...a senhora...?
-Sim, eu leio pensamentos, aliás, todos aqui fazemos isso e não é nada "sobrenatural", como as pessoas limitadas do seu mundo acham, ou melhor o mundo que você acha que é seu. Ah, Lhiòryn, há tanto para lhe contar!
-Meu nome é...
-Belinda, eu sei, querida, mas era Lhiòryn antes...vou te explicar tudo, e indo na sua direção a abraçou e tentou se segurar, mas lágrimas desceram contra a sua vontade e deixou escapar num sussurro minha filha, e Belinda também sentiu como se de fato precisasse desse abraço há muito tempo, desabando num choro convulsivo antes que pudesse conter-se.
                                                                                                    
Quando se acalmaram, antes que a jovem fizesse alguma pergunta, Mïthleen a levou pela mão até uma sala que parecia um escritório contíguo ao quarto, com uma poltrona grande e o que parecia um grande fone de ouvido apoiado na parede logo acima. Assim que Belinda se sentou os fones pousaram levemente sobre sua cabeça, se adequando perfeitamente à sua cabeça, enquanto a mulher lhe explicava:

-Provavelmente eu não conseguiria te explicar com exatidão todas as minúcias que nos levaram à esse momento, por isso, você verá a história narrada como um filme do seu planeta. Você já vai entender tudo, meu bem.
 Belinda assentiu com a cabeça, se recostando na poltrona enquanto a parede à sua frente virava uma tela de cinema e as luzes diminuiam...

                                          CONTINUA...OU NÃO! 



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